domingo, 28 de março de 2010

Biblioteca do Centur completa 139 anos

São 139 anos de incentivo e fomento à leitura e à cultura a serem comemorados pela maior biblioteca pública do Pará, a Biblioteca Pública Arthur Vianna, nessa quinta-feira (25). A programação de aniversário, no entanto, se estende do dia 24 até o dia 26, com palestras, espetáculos teatrais, apresentações musicais e atividades voltadas para a terceira idade.

A comemoração começa, nesta quarta-feira (24), com a palestra “A regionalização do livro didático”, às 15h, no setor Audiovisual (3º andar do Centur). O debate ocorre pela segunda vez e propõe questionamentos e soluções sobre a ainda parca produção de livros didáticos na região Amazônica. Os debatadores serão representantes da Secretaria de Educação e pedagogos com trabalhos na temática.

Já na quinta-feira (25), dia do aniversário da Biblioteca, o espaço terá, pela parte da manhã, o shows do violonista Salomão Habib, além da apresentação oficial do “Programa em Alusão aos 140 anos da Biblioteca Arthur Vianna”.

Pela parte da tarde, a partir das 14h, a programação será composta pelo show do Grupo Gente do Choro, além do espetáculo infantil “Deu a louca na vovozinha”, com o grupo teatral Cacilda Becker, e a perfomance do Grupo de Teatro da Casa da Juventude.

A sexta-feira (26) encerrará as comemorações com o “Encontro da terceira idade”, a partir das 10h30, na Fonoteca Pública Satyro de Melo. A atividade pretende socializar os grupos de terceira idade de Belém com os espaços e serviços oferecidos pela Arthur Vianna.

Instrução normativa – Nesse mês, a Fundação Cultural do Pará TancredoNeves também comemora um grande avanço para a organização do seu acervo bibliográfico: a publicação em Diário Oficial da Instrução Normativa do Desenvolvimento de Coleções da Biblioteca Pública Arthur Vianna.

O título é grande, tal qual a necessidade. A Instrução Normativa estabelece critérios e prioridades para a manutenção ou descarte do acervo da Biblioteca.

A importância se explica, pelos números: são aproximadamente 2000 volumes recebidos mensalmente por doações, a maioria delas por pessoas físicas, que precisam ser analisados e catalogados antes de fazerem parte do acervo da Biblioteca, atualmente composto de quase 906 mil exemplares e que, só em 2009, foi consultado por 133 mil pessoas.

A Instrução foi publicada em 09 de fevereiro de 2010 e é resultado de um trabalho de aproximadamente seis meses, realizado por técnicos em biblioteconomia da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.

Serviço

Programação alusiva ao aniversário de 139 da Biblioteca Pública Arthur Vianna, da quarta-feira (24) até a próxima sexta-feira (26). Mais informações: 3202 – 4332.

Espetáculo Fundo Reyno segue em cartaz em Belém

Cinco mulheres, três foliões e a Amazônia. Poderíamos resumir, assim, o elenco de “Fundo Reyno”, que estreou na semana passada e segue em cartaz até amanhã, com sessões às 20h, no Teatro Waldemar Henrique. Na semana que vem, o espetáculo poderá ser visto nos dias 31 de março e 1o de abril, no Teatro Fundação Curro Velho, a partir das 18h30.

É a partir da Amazônia, que se constrói a trama. Para a atriz Juliana Medeiros, que interpreta uma das personagens, o espaço físico e imaginário. “Neste sentido somos os seres que vivem aqui, somos um pouco de cada mulher, homem, criança, elemento e vivência”, acredita.

Com direção de Walter Freitas, “Fundo Reyno” foi montado com o prêmio Myriam Muniz de Teatro da Funarte e conta a história de uma disputa amorosa e de poder entre pajés-sacacas. A busca pela chave do Reyno e o embate entre as personagens se torna fábula, um sonho ou um devaneio.

Para Walter Freitas, a Amazônia é o elemento fundamental da trama, “espargindo fagulhas de vida e morte, em chamas, apodrecendo tipos e recriando histórias, abrindo-se ao sol e fechando-se com a noite, vomitando Reynos dos quais só nós, seus filhos, podemos encharcar-nos, nessa ânsia de entendê-la e recontá-la para de nosso próprio ventre parir uma história que seja a dela e seja, finalmente, a nossa própria história”, diz.

Em cena, além de Juliana Medeiros, a Pajé Sacaca; estão Pauli Banhos, a viúva Zumira; e Wellingta Macêdo, a filha de Antero Denizar e Zumira (Nhá Luca e também após um feitiço, o Bicho), duas atrizes que vivem papéis masculinos.

Mônica Lima é o folião bandoleiro, e Andréa Rocha interpreta Antero Denizar. Do universo masculino vêm, ainda, os foliões Akel Fares, o rabequeiro da folia, e o próprio Walter Freitas, que atua como um folião violeiro.

Para Juliana, foi um prazer viver a pajé, que foi inspirada em uma mulher real. “A pajé na qual o Walter se inspirou para fazer a Dona Venina era uma mulher forte e grande como eu. Em todo o processo, ele foi muito claro no que ela é e no que ele queria ter em cena. Não foi fácil, tive muito trabalho e ainda acho que preciso ser mais clara e precisa em determinados momentos. Essa é a graça de ser ator: compor um ser, nos pequenos detalhes. Criar um filho, vê-lo crescer”, diz.

A dualidade está em cena, no jogo da áurea feminina e na força do masculino; na maldade de Zumira ou na falsa/verdadeira bondade de Nhá Luca, além de confundir um tanto o espectador quando ouve ora textos rimados e, em vários momentos, falados em uma língua estranha, ou esquecida, o Nheengatu. É tudo isso que vai se desenvolvendo frente ao espectador.

Para ser montado, o espetáculo contou com produção de Cristina Costa, cenário e figurinos de Maurício Franco, design de luz de Tiago Ferradaes e assistência de direção de Pauli Banhos. Walter Freitas assina música, direção musical, dramaturgia e direção geral.

Serviço

Espetáculo “Fundo Reyno”. Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República. Ingressos a R$ 10 com meia-entrada para estudantes. Informações: 8110-5245 / 8134-7719. (Diário do Pará)

Novo arcebispo de Belém celebra a primeira missa

novo arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, fez a alegria de centenas de devotos, ontem, quando ministrou sua primeira missa no Santuário de Nossa Senhora de Fátima. A dona-de-casa Rita da Silva, moradora do bairro da Terra Firme, foi uma das que saiu da missa muito emocionada.

“É a primeira vez que eu chego tão perto e consigo beijar a mão de um bispo. Eu estou sentindo uma satisfação imensa, quase não me aguento de alegria”, disse Rita, com os olhos cheios de lágrimas, após tomar a bênção do arcebispo ao final da missa. Assim como a dona-de-casa, vários outros devotos se amontoaram para receber a bênção de Dom Alberto Taveira.

Durante a celebração, o coral de crianças do Santuário homenageou o arcebispo metropolitano de Belém com uma canção. Dom Taveira também recebeu uma imagem de Nossa Senhora de Fátima de presente, além de um banner com o cartaz da festividade de Fátima desse ano, que foi lançado na mesma ocasião.

“Essas demonstrações de afeto passam pelo bispo, mas chegam ao Nosso Senhor e à Nossa Mãe, que recebem como presente a Deus”, disse Dom Taveira. Sobre a calorosa recepção do povo paraense, o arcebispo disse que espera não se acostumar nunca, “porque depois que a gente se acostuma, vira rotina, e eu quero sempre gostar desse contato”. Ele assistiu ainda a um vídeo de apresentação da Paróquia de Fátima, mostrando inclusive a Procissão das Velas, considerada a segunda maior procissão do Estado, depois do Círio de Nazaré.

Enquanto os devotos agitavam suas bandeirinhas com a imagem do novo arcebispo gravada, o padre Antônio Oliveira, pároco da igreja, disse a Dom Taveira, em sua saudação, que “a demora de Deus (para a escolha de um novo arcebispo para Belém), por vezes, nos deixava angustiados, mas nós vimos que valeu a pena a demora de Deus”. (Diário do Pará)

sábado, 27 de março de 2010

Alunos ribeirinhos vão receber novas lanchas

Os alunos de escolas públicas localizadas em regiões ribeirinhas vão receber, a partir de maio, 600 novas lanchas para o transporte escolar. A medida é resultado de uma parceria entre os ministérios da Educação e da Defesa e visa a garantir a qualidade desse tipo de transporte, levando segurança e conforto para os alunos.

Segundo o Coordenador-geral de apoio à manutenção escolar do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Maria Rodrigues de Souza, as lanchas estão sendo desenvolvidas especialmente para o programa Caminho da Escola.

Ele informou que uma equipe formada por técnicos do FNDE e da Universidade de Brasília está testando duas embarcações a fim de identificar necessidades de ajustes e vivenciar as dificuldades dos alunos que utilizam esse tipo de transporte para ir à escola nas cidades ribeirinhas da Amazônia.

“A pesquisa vai ajudar o país a identificar as rotas fluviais, o número de alunos transportados em cada embarcação, as condições técnicas desses barcos, o tempo gasto, a expectativa de pais e alunos, autoridades municipais e comunidades ribeirinhas”, disse.

Até junho, a equipe de pesquisadores percorrerá, entre Belém (PA) e Tefé (AM), 5 mil quilômetros dos rios Guamá, Amazonas e Tapajós, no Pará, e Amazonas e Solimões, no Amazonas. Eles vão analisar cerca de 65 rotas percorridas por alunos que moram em áreas ribeirinhas. De acordo com Souza, o trabalho vai resultar na primeira pesquisa de campo sobre o transporte escolar aquaviário do país.

Para a construção das lanchas, levou-se em consideração a idade e as necessidades dos alunos durante o trajeto casa-escola-casa. Construídas em alumínio, com 7,3 metros de comprimento, as embarcações estão sendo equipadas com itens de segurança, como coletes salva-vidas e extintor de incêndio. Podem transportar até 20 alunos, incluído um lugar para portador de necessidades especiais.

Em 2010, a previsão é que 180 embarcações sejam distribuídas para municípios que utilizam o transporte aquaviário. Dados do FNDE indicam que o Brasil possui 300 mil crianças que vão para a escola usando barcos, sendo 180 mil só na Região Norte.

Coletivo bate e invade residência em São Brás



Apesar do prejuízo, ontem também foi um dia de sorte para um idoso de 80 anos. Ele é um dos moradores da casa invadida por um ônibus da linha Satélite/Felipe Patroni, na avenida Conselheiro Furtado, bairro de São Brás, em Belém. Por volta das 17h, quando o acidente aconteceu, dois coletivos colidiram e um deles, desgovernado, só parou ao bater na fachada da casa.

Raimundo Coutinho, outro morador da casa, de certa forma estava aliviado, pois seu avô tem o costume de sentar todas as tardes no pátio de sua residência e justamente ontem ele teve que sair e se livrou do acidente.

“O que mais agradeço é de não ter acontecido nada com ele, porque é comum ele ficar sentado aqui e, se ele estvesse, não estaria entre nós”, agradeceu Raimundo.

O ACIDENTE

O motorista do Satélite Haroldo Monteiro apresentou a versão de que estava em baixa velocidade quando foi trancado pelo motorista da linha Sideral D. Pedro II. “Ele estava em alta velocidade e freou na minha frente, com isso, desviei o carro e como a pista estava molhada acabou provocando o acidente”, declarou Haroldo.

Já o motorista Joel Alves, da linha Sideral D. Pedro II, rebate a versão de Haroldo e declara que estava trafegando em velocidade normal quando de repente já escutou o barulho e teve a traseira do coletivo batida. “Ele estava distante de mim, eu já tomei um susto quando ouvi o barulho com a batida”, argumentou Joel, que teve o parabrisa traseiro destruído.

Com a colisão, o veículo invadiu a residência e comprometeu a estrutura da fachada da casa. No momento em que o ônibus foi retirado da casa, pedaços de concreto foram arrancados. Uma equipe do Corpo de Bombeiros estiveram no local para interditar a área. (Diário do Pará)

Feira do Ver-O-Peso completa hoje 383 anos



Como será o Ver-o-Peso daqui a 300 anos? A maior feira a céu aberto da América Latina faz aniversário hoje, completando 383 anos dividida entre três mundos: o passado, o presente e o futuro. Enquanto mantém sua tradição de produtos e costumes, o maior patrimônio de Belém também se adequa aos novos tempos, dominado pela paisagem urbana e pelas novas tecnologias.

Já na esquina da feira, na Boulevard Castilhos França com a avenida Portugal, onde fica a chamada Pedra do Peixe, é possível perceber essa simbiose de mundos. Quando o dia ainda está amanhecendo, às 6h, o movimento de veículos é grande, com carros e ônibus dos novos tempos, disputando cada espaço no asfalto com os tradicionais carregadores de peixe e carreteiros.

Enquanto a venda na beira do rio, mesmo proibida, acontece, o movimento não para. Com caixas cheias de peixes na cabeça, os carregadores andam de um lado para o outro, acelerados para garantir o suado dinheiro. Para abrir caminho entre pessoas e bicicletas, às vezes é preciso assobiar ou gritar. Mais ou menos como os motoristas usam as buzinas para alertar quem está na frente. “Não dá para parar. É tudo rápido. É pesado, mas estamos acostumados”, diz Manoel leite, esbaforido com uma caixa de pescado na cabeça.

Do outro lado da feira, o choque de gerações também pode ser percebido. Se no meio da feira estão as erveiras, os vendedores de frutas, verduras, comida pronta e artesanato, na outra ponta, ficam os vendedores de roupas e eletrônicos, já próximos da Estação das Docas, outro símbolo da modernidade belenense. “A feira evoluiu, temos que evoluir”, resume Marcelo Martins, 26 anos, vendedor de produtos importados e brinquedos.

Marcelo afirma que, se o exótico atrai mais o turista, o tipo de produto que vende é mais para quem mora na cidade. “Quem compra mais é o pessoal daqui, turista só compra mesmo o artesanato e as frutas”, resume o camelô, que fica ali mais de 12 horas por dia “pra ganhar alguma coisa”.

Cartão de crédito para ajudar a vender

Para sobreviver, até quem vive da tradição precisa se adaptar à tecnologia. Na barraca de artesanato de Rubens Drago, 40 anos, por exemplo, você pode comprar os produtos com dinheiro e com cartão de crédito. “Hoje, ninguém mais compra com cheque, por desconfiança, só dinheiro e cartão”, explica, enquanto mostra a máquina que faz a compra com o “dinheiro de plástico”. “Quando me ofereceram esse tipo de venda, tive que aceitar. Muita gente deixa o dinheiro no banco e só carrega o cartão por segurança”.

Mesmo assim, Rubens diz que o comércio é outro, bem pior do que há 20 anos, quando começou no local. “Quando comecei, a gente faturava mais, os turistas compravam. Hoje muitos só olham, tiram fotos e vão embora”, reclama. Outro problema enfrentado pelos artesãos é a facilidade oferecida pelos produtos industrializados. “Muita gente deixou o artesanato de lado. Uma peneira que era usada para pôr frutas, por exemplo, hoje as pessoas usam de plástico, mas barato e durável”, reitera.

Mas, acima de tudo, ele é um otimista sobre o futuro do mercado. “O Ver-o-Peso depende de nós mesmos para sobreviver. Nós temos que cuidar dele como cuidamos da nossa casa e mantê-lo limpo. Só assim ele vai durar mais”, complementa.

Se depender das vendedoras, a feira vai durar mesmo, com o conhecimento repassado através das gerações. “Ela tem que se virar, de repente eu caio doente e morro, ela que vai tomar conta aqui”. Assim, de maneira simples e direta, que Sueli Souza, 45 anos, 30 deles vividos na experiência em ervas, explica por que está ensinando tudo que sabe à filha, Simone Souza, 23 anos. Sueli confirma que aprendeu o ofício das plantas e da medicina natural com a mãe, “macumbeira de Igarapé-Miri”.

Simone diz que é a única dos três irmãos que realmente deve trilhar o mesmo caminho da mãe. “Ela foi a única dos meus três filhos que se interessou pelo meu trabalho. Filho de peixe tem que ser peixe também, né?”, indaga. Mas, para Sueli, o maior presente é perceber que o trabalho ali ainda vale a pena. “Eu gosto daquilo que faço. Não admito trabalhar com aquilo que não gosto”, conclui. “Quem dera se mais pessoas tivessem vontade de aprender sobre a nossa cultura”.

Por isso, como será o Ver-o-Peso daqui a três séculos não é possível prever, mas se depender de quem convive diariamente com aquele mundo particular, ele deve durar bem mais do que isso. “Ah, o Ver-o-Peso ainda vai durar muito tempo. Tem muita história para contar ainda. Não tem nada igual em nenhum lugar do mundo”, resume, em forma de elogio, Maria das Dores Pereira, 39 anos, sobre o que representa, para ela, a feira. (Diário do Pará)

ESTAMOS DE VOLTAAAA

Eu voltei, agora pra ficar...porque aqui, aqui é meu lugar...bacana, masi tenho novidades, visitem o site do ROTA CIDADÃ 190, lá vamos saber de tudo o que acontece na cidade maravilhosa de Belém do Pará, terra da chuva, dos alamentos, do transito horrivel e das praias mais lindas do mundo, adorrro viver nesta cidade, tudo vale a pena...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Municípios prometem mais recursos para crianças

Entidades ligadas à luta em defesa dos direitos das crianças e adolescentes deverão realizar, hoje de manhã, um protesto em frente à Câmara Municipal de Belém (CMB), onde já está na pauta de votação o orçamento municipal para 2010. O objetivo da manifestação é contestar os valores apresentados para investimentos na área da infância e juventude que, segundo a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, Nazaré Sá, são “vergonhosos”. “Precisamos que essa discussão em torno do orçamento venha a público, uma vez que o projeto da prefeitura não contempla de maneira satisfatória a área da infância e juventude”, destacou.

A informação foi dada ontem à noite, durante a solenidade que marcou a assinatura de um termo de cooperação técnica entre o Ministério Público Estadual (MPE), o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), a Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep) e o Unicef, com o objetivo de garantir a prioridade na destinação de verbas para a área da infância e da juventude, conforme está assegurado na Constituição Federal e no próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A assinatura foi uma prévia do que acontecerá a partir de hoje, no I Congresso Paraense de Municípios, que inicia às 8h30, no Hangar Centro de Convenções.

Para Nazaré, o ato pode ser considerado um marco na história da garantia dos direitos das crianças e adolescentes, na medida em que os órgãos envolvidos se comprometeram, cada qual na sua esfera de atuação, a garantir a destinação adequada de recursos para essa parcela da população. “Ainda há muita falta de conhecimento técnico dos gestores municipais. Esse é um dos fatores que acabam gerando o sucateamento dos conselhos tutelares, a falta de abrigos e a não efetivação das casas de acolhimento, uma vez que a maioria das prefeituras só trabalha com os recursos federais”, explicou.

O promotor de Justiça e coordenador dos Centros de Apoio Operacionais do MPE, Natanael Leitão, observou que a obrigação dos municípios, de instituir um fundo para as políticas voltadas ao atendimento de crianças e adolescentes, está instituída tanto na Constituição Federal quanto no ECA, mas, na prática, não é isso o que se vê. “Por isso, fizemos questão de convidar a Famep, para que todos os prefeitos possam presenciar e participar desse compromisso, cuja efetivação será fiscalizada tanto pelo Ministério Público quanto pelo TCM”, observou.

Ao que parece, o trabalho será grande. De acordo com a conselheira Rosa Hage, presidente do TCM, apenas 25 dos 143 municípios paraenses consignaram em orçamento a criação do fundo para as crianças e adolescentes. No entanto, apenas 14 desses 25 aplicaram recursos nesse fundo. “Os municípios que não cumprirem com essa obrigação poderão, sim, sofrer sanções, mas, sem dúvida, os maiores penalizados serão as nossas crianças e adolescentes, que acabam ficando privados de ações que os governos têm a obrigação de promover”, completou.

Já o prefeito de Ananindeua e presidente da Famep, Helder Barbalho, comemorou a assinatura do termo e garantiu o empenho da Federação na consolidação da prioridade das políticas para crianças e adolescentes dentro dos municípios ligados à Famep. “Sem dúvida, os orçamentos municipais ainda estão distantes da necessidade de se construir uma rede de proteção social para crianças e adolescentes que esteja a contento. Mas, tenho certeza de que estamos avançando e este gesto, de assinar um termo de cooperação em que todos os municípios paraenses assumem o compromisso de construir orçamentos cujo enfoque sejam ações na área da saúde, educação e assistência social para crianças e adolescentes, é um grande ganho para o futuro do nosso Estado e dos nossos municípios”, destacou. (Diário do Pará)

CTBel estudará regulamentação de perueiros



Uma luz no fim do túnel. Assim os motoristas de transporte alternativo caracterizam o dia de paralisação. A partir de uma reunião realizada entre a categoria e o diretor superintendente da Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel), Alfredo Sarubby, na manhã de ontem, pode ser que o transporte alternativo seja regularizado em Belém. Quem decidiu trabalhar nesta terça-feira teve os carros parados e os pneus esvaziados.

Logo cedo, várias vans se concentraram em frente ao estádio Mangueirão, de onde saíram em carreata até o prédio da Prefeitura Municipal de Belém, no centro. Aproximadamente 350 veículos ficaram estacionados durante toda a manhã perto do Palácio Antônio Lemos. Francinaldo Barros, presidente do Sistema Integrado de Cooperativas de Transporte Alternativa de Belém (Sincotran), explica que a intenção da paralisação era mostrar para o poder público que o transporte alternativo é essencial para a população. Ele estima que cerca de 200 mil pessoas foram prejudicadas com a suspensão dos serviços.

Os principais usuários do transporte alternativo são moradores de áreas de periferia, cujo transporte público urbano não consegue atender toda a demanda. “Os ônibus comumente passam lotados, por isso prefiro o transporte alternativo, que é praticamente o mesmo preço e o conforto é um pouco maior”, comenta a estudante Maria Carolina do Rosário, que mora no conjunto Satélite.

Uma das exigências da Prefeitura Municipal para a regularização da categoria era a criação de uma empresa e um estudo de viabilidade técnica. O presidente do Sindicato explica que tudo isso foi feito e o projeto foi apresentado ontem para Alfredo Sarubby, que estava representando o prefeito de Belém, Duciomar Costa. Diante do projeto, Sarubby se comprometeu em realizar um estudo sobre o itinerário que poderia ser feito pelo transporte alternativo.

“Nós poderemos utilizar esse tipo de transporte como fonte alimentadora, ou seja, para suprir as localidades não contempladas pelo transporte regular, mas isso vai depender do estudo realizado pela CTBel”, contou o diretor superintendente da Companhia.

Para a categoria, esse foi um avanço na luta pela legalidade. “Nós estávamos tentando a regularização há aproximadamente seis anos e acredito que agora esse sonho está um pouco mais próximo”.

>> Vereadores declaram apoio a alternativos

A regulamentação foi o caminho pregado pelas bancadas do PT. PSB, DEM e PPS para solucionar o impasse dos transportes alternativos da capital, durante a sessão especial que debateu o assunto, ontem à tarde, na Câmara Municipal de Belém. A crítica de todos foi sobre a ausência de representantes do prefeito Duciomar Costa, – que se encontrava em Manaus,- e do Ministério Público do Estado (MPE).

O vereador Augusto Pantoja (PPS) voltou a fazer duras críticas a Duciomar Costa, ao afirmar que Belém tem como administrador “um animal que vive o tempo inteiro escondido em uma toca que não sabemos onde é”. Às críticas dele uniram-se as da representante da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará, Safira Duarte Neto. Ela lamentou as ausências e declarou o empenho da OAB na busca de soluções sobre os alternativos. “Precisamos que mais autoridades se envolvam nesta questão”, afirmou.

Para o vereador Marquinho do PT, solicitante da sessão, o transporte alternativo é fundamental para a população mais pobre da região metropolitana.

Alfredo Costa (PT) também fustigou o prefeito e a Companhia de Transportes de Belém (CTBel) por não terem comparecido à sessão. “É um desrespeito muito grande aos profissionais envolvidos e à população de Belém”, afirmou.

Ele lembrou que capitais como Fortaleza (CE) e Rio de Janeiro (RJ) resolveram o problema partindo para a solução mais óbvia: a legalização. “Por que Belém é diferente? Por que em Belém tem de haver um monopólio do sistema de transportes pelas grandes empresas?”, questionou.

Alfredo Costa também questionou o fato das empresas atuantes no transporte público de Belém serem as mesmas que durante 17 anos não pagaram impostos e tiveram essa dívida perdoada recentemente pelo prefeito.

Pelo PSB, Ademir Andrade observou que o sistema alternativo de Belém transporta diariamente em torno de 260 mil pessoas. Na opinião dele, somente esse número já seria suficiente para dar ao administrador público uma ideia da importância desse sistema para a população e limitar qualquer intenção de favorecer apenas os grandes empresários de ônibus.

“Vocês são, hoje, mais úteis à população do que o dito transporte regular”, afirmou o vereador Fernando Dourado. Para ele, assim como o transporte alternativo, a situação dos camelôs, guardadores e lavadores de carros são outras questões que continuarão “a ser empurradas com a barriga” por desinteresse do Executivo. (Diário do Pará)

Professores denunciam fraude em prova da UFPA



Professores do Colégio Impacto, em Belém, pretendem entrar com uma ação no Ministério Público Federal para que seja investigada a denúncia de um possível vazamento de uma questão do Processo Seletivo Seriado 2010 da Universidade Federal do Pará para outra instituição acadêmica da cidade.

A questão número 19 de Geografia apresentou itens completamente idênticos ao de um exercício apresentado aos alunos do colégio Universo alguns dias antes da prova. “Cinco itens são iguais ao de uma questão que está disponível na internet, mas os professores do Universo apresentaram um item a mais que, coincidentemente, também está na questão da UFPA”, diz o professor de Geografia Antonio Carvalho.

>> Veja as semelhanças entre a prova e o exercício do Colégio Universo

“Queremos que a UFPA nos dê uma explicação convincente. Caso contrário entraremos com uma ação no Ministério Público pedindo, quem sabe, até a anulação da prova”, afirma o também professor de Geografia do Impacto Nonato Bouth.

O gráfico e as alternativas que estão na prova da UFPA são iguais ao que foi apresentado como exercício para os alunos do Universo, segundo denuncia o colégio Impacto.

A questão foi anulada pela universidade. Em nota de esclarecimento a UFPA informa que anulou a questão “após análise realizada por uma equipe de professores da UFPA, que detectou proximidade da questão com a de uma prova de concurso vestibular da Universidade Federal da Bahia, aplicada em 2007”.

De acordo com a diretora do Centro de Processos Seletivos da UFPA (CEPS/UFPA), Marilucia Oliveira, a Universidade “tem um compromisso moral de prezar pelo ineditismo das questões de seu vestibular. Embora não haja nenhuma obrigatoriedade legal para que as questões de vestibulares sejam inéditas, a anulação foi decidida pela UFPA, por mérito de lisura, ainda na segunda-feira, à noite, 23 de novembro”. A retificação do gabarito foi realizada ontem.

“Nós temos um controle de qualidade e um padrão mínimo que não admite questões repetidas em nossas provas. Por isso, após ter sido detectada a proximidade da questão com a da prova de outra instituição, achamos ético anulá-la”, afirma Marilucia Oliveira.

No Colégio Universo a questão é tratada de forma ainda não oficial. “Soubemos através de comentários de alunos. Não recebemos nada oficialmente. Assim que recebermos algum tipo de comunicação oficial reuniremos a banca dos professores da Geografia do colégio para definirmos que tipo de atitude será tomada”, disse o coordenador pedagógico Marcio Ganzer.

CAUTELA

No Ministério Público, o caso ainda é visto com cautela. “O Ministério Público Federal não recebeu nenhuma representação oficial até o presente momento questionando a segurança ou a metodologia das provas do último PSS da Universidade Federal do Pará. Se isso acontecer, deverá ser aberto procedimento interno para investigar as hipóteses de suposto plágio ou suposto vazamento. Quaisquer medidas necessárias deverão ser tomadas apenas com a conclusão das investigações”, informou o MP. Um procurador disse que a anulação da prova é um ato extremo, mas que não é algo tão incomum assim. Nas investigações, até a Polícia Federal pode ser acionada.

Para os candidatos que se sentiram prejudicados, a UFPA não dá razões para muita animação. Os candidatos tinham até as 14h30 de ontem para interporem recursos no Centro de Processos Seletivos. O gabarito definitivo da prova será disponibilizado a partir da quarta-feira, dia 25 de novembro.

PROTESTO

Ontem pela manhã os alunos do colégio Impacto da avenida Magalhães Barata fizeram um pequeno protesto no interior da instituição reivindicando a anulação da prova. Nem todos, no entanto, querem que a prova seja anulada. “Eu vou ser prejudicado de qualquer forma”, disse Lui Lima, 19 anos. (Diário do Pará)